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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Infertilidade e Custos

Hà muito, que desejo "falar" sobre quanto custa ser infértil em Portugal.

 

Começamos por sentir que a gravidez não chega. Procuramos ginecologistas,

 

Preço por consulta: 70,00€

Fazemos ecografias: mais 25,00€

Histerossalpingografia: 250,00€

Análises, espermograma: 80,00€

 

(São precisas muitas consultas, ecografias, análises e espermogramas)

 

Controlamos temperaturas, contamos os dias e as horas em que o nosso sistema reprodutor, como que um relógio dita que é naquele momento que tudo vai acontecer. Criamos ilusões, esperanças, sonhamos...e desabamos por terra.

 

Acabamos por recorrer a ajuda especializada. Procuramos nos poucos centros públicos disponíveis no País e criamos ilusões novamente, mas as esperas, as intermináveis listas de espera, arrastam-nos para tràs quando a nossa vontade é fazer o sentido inverso.

Acabamos por procurar ajuda nos centros privados.

 

Cada consulta: entre 80,00€ e 130,00€,

Espermograma: 80,00€

Análises: gastei recentemente 800,00€ em análises e estudo molecular (sem comparticipação)

Histeroscopia: 180,00€

Ecografia: 25,00€

 

Diagnósticos feitos, avançamos para PMA (Procriação Médicamente Assistida)

 

IIU (Insiminação Intra-Uterina): 600,00€

FIV (Fertilização In-Vitro): 3000,00€

ICSI (Micro-injecção): 5000,00€

DGPI (Diagnóstico Genético Pré-Implantatório): 8000,00€

Doação de Gâmetas: 6500,00€

 

Medicação: 1000,00€ por cada tratamento

Seringas: 0,70€ (são precisas cerca de 30 ou mais por tratamento).

 

No meu caso e no de alguns casais juntamos aos custos o gasóleo, portagens, e desgaste do carro, porque fazemos 560 km: cerca de 500,00€ por tratamento.

 

Partindo do principio que se têm que fazer várias tentativas de tratamentos para se conseguir uma gravidez, e fazendo as contas aos custos, assim chegamos à conclusão que não podermos ir tantas vezes jantar fora como a maioria dos casais o fazem, não podemos ir de férias para onde desejariamos como tantas outras pessoas o fazem, não podemos ter a casa dos nossos sonhos, o carro que idealizamos, porque tudo o que conseguimos amealhar é para o nosso filho...o filho que ainda não existe, mas pelo qual já investimos tanto.

As pessoas que têm filhos queixam-se dos custos dos infantários, das roupas que deixam de servir, do custo dos livros escolares...quem me dera que todo o dinheiro que já gastei fosse para esses fins. Quem me dera...

 

Neste momento preciso ter 9.500,00€ para fazer um tratamento que nem sei se vai resultar.

 

Infelizmente o Estado não apoia os casais inférteis. Cada vez mais as pessoas constituem família mais tarde, esquecendo-se que o nosso sistema reprodutor tem um prazo de validade muito curto. Como é que um casal que está com 36 anos (por ex.) consegue inscrição num centro público? Se depois vai ter que estar cerca de 2 a 3 anos em lista de espera para fazer um tratamento? Quando chegar esse dia já excedeu o limite de idade imposto pelo hospital. E como é que um casal mesmo que seja mais novo consegue ficar parado a ver os anos a passarem à espera que o telefone toque e oiça: - chegou a sua vez. E depois? Se não resultar este tratamento, mais 2 anos à espera de uma nova oportunidade?

E as Seguradoras? Porque não se chegam à frente com este tipo de tratamentos se esta é uma doença reconhecida pela OMS?

E porque é que os medicamentos para a estimulação têm menos comparticipação que os outros medicamentos? A Infertilidade é uma DOENÇA, e deve ser reconhecida como tal.

Quando é que somos ouvidos?  Quando é que temos respostas?

 

Bjs a todos

Susana Pina

publicado por sonhoterumfilho às 22:05
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48 comentários:
De Summer a 2 de Setembro de 2008 às 23:25
Infelizmente esta é a realidade. A infertilidade é uma doença muito discriminada e incompreendida.
Não bastava termos de lidar com a parte emocional, ainda temos de fazer face practicamente sozinhos a todas as despesas inerentes, que infelizmente não são poucas.
Beijocas
De Lita a 2 de Setembro de 2008 às 23:33
Minha querida,

Certa como sempre!
Olhando para estes custos dou por mim a imaginar o que já gastei e olha que estou a anos luz de tudo o que tu já gastaste.
Férias em locais paradisiacos? Quem me dera, mas não dá mesmo para isso.
Depois de um ttt há que organizar logo os trocos para o próximo que há-de vir.

E nestes valores que apresentas fica ainda em falta os custos da gasolina, das portagens, da alimentação e das baixas médicas que não cobrem o ordenado por inteiro.

Há pouco tempo perguntaram-me se todo o processo era caro, ao que eu respondi:
"Depende da conta bancária de cada um... para mim é uma fortuna, mas para mim o que custa mais é o investimento pessoal"

Sim, porque por detrás de todo o investimento financeiro há o investimento pessoal e para mim esse sim é de valor incalculavel.

Amiga, é uma DOENÇA, pois é, mas parece que todos a vêm como uma doença de luxo, logo só avança quem quer.
Triste realidade a do nosso país.
Talvez um dia possamos acordar e dizer que temos verdadeiros apoios, mas por enquanto resta-nos adiar viagens de sonho, a compra do carro e da casa...

Um beijo grande.
Lita


De marta a 3 de Setembro de 2008 às 01:09
Amiga, retrataste na íntegra o desgaste monetário que um casal infértil está sugeito. Infelizmente são escassas as ajudas... Mas, se nos é tão importante conseguir gerar um filho, deixamos de comprar o carro e casa que idealizamos, deixamos de jantar fora, deixamos de passar férias no destino que gostariamos...tudo porque o nosso desejo é por demais enorme.
bjos
De Dalila - Brasil a 3 de Setembro de 2008 às 02:22
Querida Suzana,

Estava fazendo as conversões e no Brasil os custos são muito parecidos. O programa gratuito é uma opção praticamente descartada por aqui, pois creio apenas em uma meia dúzia de hospitais do país oferece o procedimento.
Portanto a única alternativa é esta cujos custos são próximos aos que vc descreve aqui.
E além de não sabermos se haverá um filho após o investimento de muito dinheiro e muitas vezes parte de nossos bens, ainda há o desgaste emocional do tratamento e os riscos para a saúde, principalmente da mulher, nos casos de FIV ou ICSI.
É um alto preço e o caminho é solitário, pois temos a incerteza como única companheira.
beijos, Dalila
De Ruby a 3 de Setembro de 2008 às 09:21
Susana,
tens toda a razao no que escreves-te, infelizmente ainda nao somos tratados de igual forma.
É de salientar que mesmo andando no publico há muitos casais que não têm possibilidade de recorrer a estas tecnicas de reproduçao, o que faz com que muitos desistam mesmo antes de começarem.

Só lamento o estado ajudar determinadas doenças ( ex. as drogas) que para eles a seringas sao oferta e nós até isso temos que pagar, deveriamos de ter direitos iguais, já que nós contribuimos para o desenvolvimento deste pais, coisa que muitos nao o fazem.

Este é um assunto que daria muito que falar....mas o melhor mesmo é ficar por aqui.

Minha amiga continuamos a torcer por vós, nesta dificil caminhada.

bjs
De inca a 3 de Setembro de 2008 às 09:43
Certíssimo tudo o que dizes aqui. Eu e o marido no final de 5 anos de calvário decidimos investir um pouco mais na nossa vida e deixar um pouco de lado os gastos com a infertilidade, sentíamos que não vivíamos e não estávamos nada felizes, e cada vez mais um para cada lado. As consultas e as viagens continuam, mas os tratamentos esses ainda estão em stand-bay, cansei-me das injecções, das horas à espera, das expectativas e das lágrimas, cansei-me das fiv que nunca conseguia acabar, cansei-me de mais uma analise que acabou por não servir para nada. Cansei-me também dos hospitais públicos que sempre me fecharam as portas, antes porque ainda era nova e as filas eram enormes, agora porque o meu tt tem pouca taxa de sucesso. Fiz um operação no privado onde gastei 800 cts (Laparoscopia) e a médica podia ter –me enviado para o publico, não quis, no hospital onde ela trabalhava era melhor! Nem queria acreditar no preço, pedi um empréstimo para pagar e o meu sist reprodutor ficou seriamente comprometido, não que não fosse necessário fazer o tt, mas foi mt $$$ para comprometer o nosso sonho, e foi o resultado de outra médica paga a peso de ouro que não controlou a minha endometriose. Passei anos a fazer contas, contas de dias, de temperaturas e de $, fiquei desfeita e o meu casamento quase que também. Agora faço menos contas, também faço menos tt, mas tento acreditar que esta pausa vai resultar, se a opção de os tt seguidos não resultou, talvez aqui resulte. Para não falar do custo dos olhares das pessoas que não compreendem esta demanda e que não respeitam o nosso sofrimento. Desculpa a extensão do desabafo, mas ando tão revoltada com isto tudo que não resisti a desabafar. Desculpa e beijinhos
De Maria a 3 de Setembro de 2008 às 10:33
Pois é!!! Só mesmo para a Fátima Lopes é que é fácil...ela sim poed tentar em Março, em Junho...........e à segunda tentativa dá certo!!!
Enfim.........felicidades p'ra ela.........
De 1gota a 3 de Setembro de 2008 às 11:25
Gostei muito que escrevesses este post.
As pessoas sabem que é caro, mas não fazem ideia (eu não fazia) de quão caro cada tratamento é.
Para além da dor emocional de cada tratamento, a (in)decisão de trabalhar cada dia para juntar os trocos para um fim que pode ser inglório não deve ser pêra doce.
Vcs são uma mulheres de M grande, e os vossos maridos uns homens com H ainda maior. Não desistirem dos vossos sonhos e levantarem-se a cada tratamento falhado. São uns heróis.
Infelizmente não me parece que este governo esteja sensibilizado p esta causa, mas nunca se pode deixar morrer este assunto. Cada vez mais.
Um beijinho grande.
De stardust a 3 de Setembro de 2008 às 11:40
Querida amiga,

piores estão aqueles qu nem para a medicação têm dinheiro, porque existem muitos casais cujos rendimentos lhes não permitem sequer a compra da medicação que como muito bem dizes é muito cara. Esses já não estão nas esfera de abdicar das férias dos carros e casas novos... Estão na esfera de abdicar de tudo porque não têm possibilidades...

Claro que me revolto com tudo isto, mas revolto-me muito mais com os milhares de doentes em lista de espera para uma operação às cataratas, que pode ser a diferença entre o ficar cego e ver, revolto-me com os meses que demora uma cirurgia no IPO quando o doente não tem dinheiro para fazê-la privada, cirurgia essa que pode ser a diferença entre a vida e a morte, revolto-me quando sei que numa urgência hospitalar se esperam 4 ou 5 horas para se ser (mal) atendido por um médico a quem contribuímos para pagar o salário...

A saúde no nosso país está longe de ser "um mar de rosas", e infelizmente os atingidos não são só os casais que lutam por um filho, muitos que lutam pela vida, acabam por perdê-la porque não tiveram a oportunidade de ter um atendimento melhor (o caso daquele bebé em Viseu... Se a mãe fosse seguida na privada de certeza que não acontecia).

É este o país que temos...

Beijocas
De Ceres a 3 de Setembro de 2008 às 11:56
Onde é que eu posso assinar? É aqui, não é? Por baixo...

Senti o peso do custo dos tratamentos vezes demais sempre no particular... é outra dor que nós carregamos! Ainda se tivessemos a certeza de que resultaria... assim é outra dor!

Obrigada por este post, Susanita. Fazia falta!
De Angel a 3 de Setembro de 2008 às 12:39
Sim qdo seremos tratadas como os outros? Como uma doença normal? O que tem de anormal querer um filho?
Para quando as ajudas??? Parq uê tanta politica??? Raios os partam!!!

Bj grande Susaninha

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